terça-feira, 2 de junho de 2026

Reinos

 



Onde começa e termina
a pedra,
sonho pétreo
que consuma
a coluna vertebral da terra
em minério insano?
Onde começa e termina
a planta,
fosso de luz e treva
que se consome
em fruto e furta
a raiz do mundo?
Onde começa e termina
o bicho,
coisa de ventre
que se fecha e abre
na placenta do mistério
e se funda
em suor e sangue?
Onde começa e termina
o homem,
cria das coisas
que se contemplam
e se mastigam
na ruminação do tempo?
Onde começa e acaba
o anjo,
que principia
etéreo e eterno
e se concentra
em nitidez translúcida
e desafia
os estigmas da carne?
Onde inicia o nunca,
onde termina o sempre
na aurora inaugurada
na matriz do imensurável?
Os estratagemas do silêncio
tornam-se audíveis
num instante
e em sua armadilha
nos quedamos,
para inspirar
o Sopro do intangível.