Azul
Ninguém viu
a ave atravessar
o céu silente
tornando mais visível
o azul a vislumbrar
o nítido naquilo
que ele tem de mais
translúcido,
escavando
a transparência do íntimo
até as entranhas
da matéria
e alcançar
as forjas do encantado.
Se visto a ave
alguém houvesse,
padeceria
ante as curvaturas
do mundo
e nele encontraria
tão somente
o âmago do mágico
a tecer o vivo
no abismo
nosso de cada dia


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