Filhos
Não mais acolhemos
os filhos da floresta,
seus sussurros, seus silvos, seus uivos,
esquecemos
onde a borboleta habita,
em que águas volitam
os peixes,
em que troncos rastejam
insetos estalando ao sol.
Desarticulamos
os dicionários que revelam
a voz primeva das eras,
arranhando
nossas gargantas antes
de evocarmos
o que o inverno inventa.
Não mais extraímos
as tinturas da vida ,
esgotando
a sua promessa.
Não mais ouvimos
os filhos da selva,
nossos garfos se cravam
ante a agonia dos mortos.
Não mais sabemos
quem são os filhos acolhidos
pela raiz antiga do mundo,


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