segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Microconto: Ver



Uma descoberta a cada manhã.
 Abriu a cortina e viu o mar.
 Abriu a cortina e viu o Everest.
 Abriu a cortina e viu o abismo.
 Abriu a cortina:trevas.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Poema

  Meu poema que foi um dos vencedores em concurso na Índia:

SMILE

I know now
I do not need my mouth to smile,
my eyes burn the silence.

I also, discovered
I do not need huges to smile,
one flower in the pot is enough.

I'm sure yet
that my gums bleed
but the intention grows white and red
between my lips.

I recognize
the strangeness of this smile,
injured before being born,
crushed before it is built,
spent before starting,
but such existence offers
everything that shaped
the forms of my body,
the air circling mu lungs.

Death ad Life
have designed
my smile
in exact measure
and this is, of all,
my best work of art. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Concurso



Meu poema Smile foi um dos vencedores de concurso literário na Índia.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Rowling


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Resenha



     Com tradução de Helen Rumjanek, o romance Nada de Novo no Front, de Erich M. Remarque é um livro significativo da literatura com o tema da guerra. No caso, a Primeira Guerra Mundial. Com cenas fortes e impactantes, ele nos faz pensar e sentir. Impossível concordar com a violência e os falsos patriotismos. O autor desmistifica tudo, pondo abaixo as fantasias heroicas, mostrando a realidade nua e crua. A perversidade da violência, a desumanização, o impacto negativo sobre a vda dos combatentes. Quando foi lançado, o livro incomodou e até hoje nos perturba.
   Momentos narrativos como a do combate  num cemitério, ou a situação crítica no lodo em meio ao fogo cruzado, o retorno para casa e,posteriormente, para o front, o final marcante,entre outros momentos, fazem deste romance um libelo a favor da paz,embora não haja nenhum discurso explícito neste sentido.Nem é necessário. A força da escrita e dos acontecimentos fala por si só.
   Numa época de turbulência como este início do século XXI é importante que leiamos a respeito do início do século XX. Aliás, alguns historiadores e pensadores contemporâneos comparam esses dois períodos, afirmando que são muito semelhantes.
   Quando um escritor retrata muito bem uma época, o texto sobrevive ao passar do tempo, pois consegue transcender períodos e efetuar uma abordagem das misérias humanas diante de uma violência sem sentido, que beneficia apenas a interesses escusos de gente sem escrúpulo que usa a guerra para enriquecer.
   Devido a este e por outros diversos motivos, trata-se de um livro que sempre vale a pena ler.
 
 
   

sábado, 29 de setembro de 2018

Retábulo



Nos quadrantes da Terra
pintarei um retábulo,
partes de céu e de selva
em articulação removível e transversa
no coração do Cosmos,
misto de poesia e esperma
no útero da matéria,
compondo formas além
da forma,desarticulando
cálculo e geometria
para compor o espanto
nos estigmas do genuíno,
recompondo, do vítreo,o organismo
com as glândulas sudoríparas do etéreo.
em fome de linhas e argilas
expelindo o magma do fluxo
do existir no orvalho do vivo,
acatando o sereno da insônia,
revelando o amálgama do simples
nos oratórios do cavo,
na imensidão do mínimo,
em composição de magia e enigma
com refinada arte simplória
de revirar as entranhas do Ser.

(imagem: O Cordeiro Místico by Jan van Eyck).



sexta-feira, 28 de setembro de 2018

#elenão



Que a democracia não seja destruída pelo fanatismo, pela violência,pela insanidade.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Microconto: Ítaca



    Durante o dia, Penélope tece. À noite,destece. Ao despertar, Ulisses descobre que mais uma vez o mundo mudou, o que dificulta seu retorno.Seu sonho é que Ítaca permaneça sempre a mesma.

(foto:Google)

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Brasil



No fedor do suro e do insano
um país apodrece
entre as larvas do velho
e a vivissecção do novo:
pele arrancada, entranhas expostas,
geografia de fomes e medos,
decomposto e coagulado
na ganância insidiosa
de roer a si mesmo,
resquícios de sombra e cadáver
na imolação do vivo:
a devorar organismos e filhos,
Cronos no hospício das gulas.

(imagem: Google)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Paramashiva


No metassilêncio
o som originário
desprendendo-se,
criando
manancial de organismos,
sementes
fecundando fluxos,
geração
de som e ritmo
nas cavidades do morfema,
página impressa
no scriptorium do âmago
do Livro da Vida.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Arte Poética


 Nas linhas da águas
todas as formas
do sólido.
Na caligrafia da água,
a mãe dos alfabetos.
Incolor tinta
impermeabiliza
o insólito.
Fluidez de ritmos
a investigar
o monótono.
Nos hexagramas do líquido,
o nanquim do ideograma.
A água é chinesa
em sua estrutura.
E sempre descama
a alma do fixo.
Nas pupilas do peixe,
o assombro do poema.

(imagem: Google)



sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Existência



O sol no olho
que colhe
a luz,
o enigma da sombra
acolhendo
o dia ,
o corpo-planeta
redefinindo
silhuetas no universo
da antimatéria.
O sol
restituindo
a córnea
ao revelar
as trajetórias da luz,
restauração e raio
inflamando
o acaso das certezas.

(foto: Cleber Pacheco)

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Caos



Caos fecundo
gerando
profusão,
abundância
nascida do fortuito,
sutileza exposta
feito fratura
no esqueleto do Cosmos,
nicho e ninho
acolhendo
o Ovo originário
em implícitas perspectivas,
caldo de estrelas
jorrando
no imo da treva:
face lúdica do Nada.

(foto: Cleber Pacheco)




quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Resenha



   Havia lido o primeiro romance de Jane Austen, A Abadia de Northanger ( Northanger Abbey) , em que a autora fazia uma paródia dos romances góticos, tão em voga em sua época. Obviamente l o seu livro mais famoso, Orgulho e Preconceito.  Decidi então ler o seu último livro Persuasão (Persuasion). 
   Anne Elliot, a heroína, não tem a vivacidade de Elizabeth Bennet, mas tem a sua determinação. Isso não nos faz desgostar da personagem.Ao contrário, sua discrição, silêncio e gentileza acabam por torná-la ainda mais interessante. Subestimada pela própria família, parece permanecer em segundo plano o tempo todo. O pai é tolo e vaidoso. A irmã mais velha é completamente esnobe e indiferente. A irmã Mary é egoísta e hipocondríaca. Anne se distingue de todos eles por seu discernimento e inteligência, por sua capacidade de avaliar corretamente as pessoas e não se deixar enganar pelas aparências.
   A sua situação quase apagada é enganadora. Se mesmo entre a maioria dos conhecidas ela é tratada de modo condescendente, na verdade Anne está em todas as situações, atuando de modo quase imperceptível, sempre presente. E as pessoas,mesmo que não percebam,acabam sempre por solicitá-las nos momentos críticos.
   O capitão Wentworth, por sua vez, não tem a pose aristocrática de mr. Darcy. Também é discreto, mas leal, assemelhando-se à Anne em muitas coisas.
   As aparências são enganadoras. Ambos têm personalidades admiráveis em meio a uma sociedade frívola e ridícula. Jane Austem, com humor e ironia, sabe muito bem retratar os ambientes, com olhar crítico.
   Confesso que aprecio Anne tanto quanto Elizabeth. Há semelhanças e diferenças. Mas a conduta de Anne desperta a nossa admiração. Creio que ela seja a mais madura de todas as heroínas de Jane Austen. O sofrimento, a separação e o aprendizado com as próprias experiências a tornaram assim. Importante lembrar que, um ano após concluído o romance, a autora faleceu.
   Sem dúvida uma  boa leitura. 

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Conto: Espaço




   Colocar o piano provocou certos ajustes.
   Para entrar na sala, tiveram de retirar a mesa.Mas para que a mesa pudesse permanecer, tiveram de retirar as cadeiras.
   Para que as cadeiras ficassem, tiveram de tirar as folhagens. Se quiseram deixar as folhagens, tiveram de colocar a escultura no corredor. Mas a porta não abria e a escultura voltou para a sala.
   Voltaram a tirar as folhagens. Mas na cozinha não cabia mais nada.
   A escultura foi para o quarto.Mas aí não podiam abrir o guarda-roupa.
   Ele então sugeriu colocá-la no banheiro.
   Ela brigou com ele.
   Ele gritou com ela.
   Ela bateu nele.
   Ele revidou.
   Ela chorou.
   Ele jogou a escultura pela janela.
   Ela fez um esforço, provocando um pequeno deslize do piano, fazendo com que despencasse escada abaixo.
   Ele saiu porta afora, deixando o apartamento.
   Ela finalmente pôde colocar todas as coisas em seu devido lugar, suspirando aliviada e satisfeita.
 

sábado, 1 de setembro de 2018

Microconto; Nêmesis



Sobre minha cabeça, ao passar pela calçada, o cuspe.
A cada semana o maldito não permite transeuntes, mas outra vez  passarei por ali , como sempre faço, só que dessa vez sem o meu chapéu novo,sob.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Rever



Reverter o insano
até a sensatez do frio,
reproduzir o aroma
das coisas esquecidas,
realinhar o neutro
das linhas limítrofes,
restituir o anonimato
das enciclopédias,
respirar a pureza
nos ventrículos do lodo.
Arte e astúcia
nos desencontros
do mundo.

(foto: Cleber Pacheco)

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

CUBO

 (Texto extraído do meu livro ENIGMAS:)

   Um homem deitado, em vigília, num quarto, sobre uma caixa de madeira  onde faltam os cinco lados restantes.Do outro lado do mundo, cinco monges deitados, posição fetal, dormindo, em caixas de madeira faltando apenas um dos lados.

sábado, 25 de agosto de 2018

Resenha


   O que me interessa nos livros de Josh Mallerman são as suas idéias originais: em Caixa de Pássaros ele contava a história de uma ameaça indefinida. Quem abrisse os olhos,enlouqueceria. Neste Uma Casa no Fundo de um Lago o autor cria uma situação que tanto pode ser sobrenatural como uma mera fantasia de adolescentes. Em ambos os casos não há muitas explicações, não há respostas prontas e acabadas com todo o mistério desvendado no final. Isso torna os livros mais interessantes. É muito raro hoje em dia encontrar ambiguidade em textos mais comerciais.  Em geral o público não entende ambiguidade, sutileza,as entrelinhas. Como o desenvolvimento da indústria da cultura e do entretenimento, o nível cultural do leitor médio é cada vez mais baixo. Os textos são cada vez mais simplórios.
   Bem, conforme comentei, o que me interessa nos livros dele é exatamente a concepção de suas histórias e a estranheza que elas suscitam, assim como esse aspecto dúbio que elas trazem. Não há vampiros,lobisomens,fantasmas, que o mercado editorial já tratou de saturar despejando inúmeros títulos para lá de medíocres. Isso não quer dizer que o a escrita de Josh seja exatamente um primor literário. Neste livro em particular, o seu estilo é ainda mais primário, realmente muito fraco. Não há muito cuidado na elaboração das frases. Parece ter sido escrito para alunos do ensino fundamental que não conseguem entender uma palavra um pouquinho mais culta. Este é o ponto fraco.
   O final em aberto enriquece a proposta e é acertado. De qualquer modo, vale pela sua capacidade de criar situações incomuns, realmente insólitas. O que, em termos de bestsellers  de hoje, já é alguma coisa. 
 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Ainda



Talvez
as flores
que plantei
nunca cresçam,
sequer nasçam.

Restarão,
ainda assim,
os vasos
que larguei
por aí.

(foto: Cleber Pacheco)

domingo, 19 de agosto de 2018

Resenha



O escritor A. J. Finn em A Mulher na Janela recicla os filmes de Hitchcock e faz um romance de suspense com todos os ingredientes próprios dos filmes do mestre. A história tem suspense e é interessante. E a personagem Anna Fox é o que de melhor existe no livro. No entanto, ao concluirmos a leitura, fica claro que já vimos tudo isso antes.
   Para quem lê atentamente, não fica difícil obter a resposta antes do final.
   Quem conhece os filmes Rear Window e Vertigo irá se divertir e perceber as semelhanças. Quem aprecia o gênero noir  também encontrará várias referências.
   Trata-se uma leitura agradável, mero entretenimento, que segue as fórmulas conhecidas com eficiência para manter o leitor interessado, seguindo os passos de Anna, que sofre de agorafobia. É a personagem que nos prende, pois sua situação angustiante gera empatia e nos torna solidários com as suas limitações e sofrimentos. 
   Não encontraremos aí literatura de alto nível. Nem é esta a intenção.
   De qualquer modo, para quem gosta de romances policiais e de suspense, vale como uma dica para efetuar uma leitura leve.
 

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Identidade



Sou de lugar nenhum,
desconheço cavernas,castelos,
minha jornada é de areia e neve esculpidas
e desmente qualquer estudo antropológico.

Minhas impressões digitais
só marcam a água
fluindo velozmente
em direção aos vapores.
Minhas pegadas são dissolvidas
enquanto tocam o solo
brotando larvas e fósseis
em jardins de incerteza.

Meus olhos foram esculpidos
com relva, vidro e nuvens
espreitando constelações, galáxias
através do desconhecido.

Sou de todos os lugares,
não estou procurando abrigo,.
Aceito chuva, tempestade, trovão
porque aprendi
a explorar florestas e desertos
tendo meu coração como guia.

(foto: Cleber Pacheco)

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Poema




   LOCAL-MAPA

Tudo o que tem um aqui
aguarda dura prova
do solo que tem em si
promontório e cova
espera-se que o traçado
todo distante remova
extraindo do parado
a viagem que o resolva:
se um é puro risco
o outro só é cisco

sábado, 4 de agosto de 2018

Revista digital

 Três poemas de minha autoria podem ser lidos na revista digital Literatura e Fechadura  acessando o link:

http://www.literaturaefechadura.com.br/2018/08/04/tres-poemas-de-cleber-pacheco/


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Poema

  Hoje posto um poema meu em Língua Inglesa:

GENESIS

One more poem
and the world shall be saved,
stones will be redeemed
and roses will be blue.
Perhaps only poets will ressurrect
on the day of the Apocalypse.
Until then  it is necessary
recreate the world
to unveil
human designs
after the seventh day.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Entrevista


https://comoeuescrevo.com/cleber-pacheco/

Clique no link para ler minha entrevista: COMO EU ESCREVO.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Resenha



Remorsos Para Um Cordeiro Branco é o livro de poemas da cubana Reina María Rodríguez traduzido por Josè Eduardo Degrazia e publicado pela editora Penalux em 2018.  Trata-se de mais um trabalho pioneiro de uma editora que tem surpreendido  e lançado obras importantes.
   A poesia de Reina é  cheia de beleza, de minúcias que ganham grande significado, de miudezas que vão se ampliando cada vez mais e ganham proporções inimagináveis. Transitando do particular ao universal, seus poemas são íntimos, muito particulares, mas adquirem uma expressão abrangente. Por isso mesmo, impressionam:
          as cerejas me obrigam a te buscar.
          e trago a cesta dessas provisões.
          qualquer felicidade que caia das árvores
          redonda feita de ar
         como será a abstrata tão famosa.

   Ou então:

      olha e não as descuides.
      as ilhas são mundos aparentes.

   Utilizando-se dessas imagens mínimas como uma formiga, um ramo, uma flor, um gato, bonecas, uma avestruz,  um piano, a água,  a autora vai ampliando para as paisagens, a ilha, um arquipélago, cidades, o mundo. Esse crescer contínuo dá uma nova  dimensão  e cresce ainda mais ao trazer referências literárias e artísticas como Tintoretto, Céline, Yves Bonnefoy, Roberto Calasso, Marina Tsvietáieva, etc.
   A aparente simplicidade dos versos revelam uma poesia rica e refinada,  resultando belos poemas como Coisinhas Chinesas:

     Vou diariamente ao bairro chinês para buscar essas
      coisinhas que parecem verdadeiras , que tenham
      perfume de cura (...)

    A vida , a dor de viver , a culpa, a frustração presentes na imagem do cordeiro, sintetizam a capacidade da poeta de abordar os desafios do viver, mesclando emoção e reflexão, o sentimento que faz pensar. O seu lirismo, portanto, apesar de intenso, não se deixa afogar no sentimentalismo. Muito pelo contrário, faz pensar e repensar a existência, mas se trata de um pensamento que nunca prescinde da delicadeza.
    É um livro para ler e reler sempre.   

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Microconto: Ano 2.100


Contemplando o jardim de flores de cristais de Murano orgânicos polinizadas pelos nanorobôs, exclamou o menino:

- Como é bela a natureza!

domingo, 22 de julho de 2018

Sefirot


Sefirótica é a árvore
dos segredos.
Todos passam
pelo caminho
da Beleza,
o Infinito
que clama
subida e travessia
em suas moradas
de espanto e alumbramento.

(imagem: Google)

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Viagens


Fazer,do sertão, a travessia,
para chegar a Balbec.
Sair da casa dos mortos na Sibéria
para mergulhar no Ganges.
Abandonar Amherst
para navegar em pleno Nilo.
Ler é Heráclito e rio.

(foto: Google)

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Poema



Um poema de mina autoria em Língua Inglesa:

ROSEBUD

I'm the masters of calligraphers.
I can easily win a race.
I swim with precision and elegance.
I know how to die every day.

Words are healing poisons.
Running is a void dive.
Swimming is watering water.
Dying is the only talent that really blooms.

(foto: Google imagens)

Internacional


 Meu poema GUIDES foi selecionado e publicado pela Suisun Valley Review, nos Estados Unidos.

domingo, 15 de julho de 2018

Microconto: Da Genética, da Arte e da Lei do Karma

  Entre as ervilhas de Mendel e o jardim de Monet vicejam as flores do pântano.

sábado, 14 de julho de 2018

Resenha

   Uma belíssima edição o livro MITOLOGIA NÓRDICA de Neil Gaiman contendo várias histórias a respeito do reino de Asgard onde habitam os deuses e de outros reinos sustentados por Yggdrasill,  a árvore do mundo.
   Recontando algumas histórias, Gaiman nos mostra que a mitologia nórdica se difere bastante da  grega,por exemplo: os seres são outros, há muita magia, momentos onde impera o fantástico, os deuses são mais brutos e violentos e, por outro lado,  há muitas situações humorísticas, praticamente inexistentes em mitologias de outras culturas.
   Dando destaque para  Odin, Thor e Loki, o trapaceiro,  o autor nos oferece um panorama da riqueza de um mundo em que um grande número de relatos simplesmente se perdeu para sempre.
   Vale destacar A Yggdrasill e os Nove Mundos, A Cabeça de Mímir e o Olho de Odin, O Casamento Incomum de Freya, O Hidromel da Poesia ( história curiosa e cômica a respeito da origem da boa e má poesia), Os Últimos DIas de  Loky e, como não poderia deixar de ser, Ragnarok, o fim dos tempos conforme a visão nórdica.
  Uma leitura interessante e divertida para todas as idades.
   

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Toque



Tudo é aberto,
tudo é céu
e quase chão,
breve toque
na textura dos atritos,
fibras de nuvens,
celeuma de folhas,
derrisão
na brevidade do infinito.

(foto: Cleber Pacheco)

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Microconto:FRIO

   Tão fria era a noite no gélido da madrugada, que ficaram congelados os sonhos.
   Pela manhã,ao despertar, encontrou-os imóveis sobre a cama.
   E assim decorreu todo o dia,sonhando acordado.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Ler


Ler o mundo
em seu conjunto
é descartar metáforas,
representação nua
de trajetórias em queda livre,
consumação de parábolas
na profundidade horizontal do acontecimento,
epifania
de fatos consumados
no seio do inviável,
destituição
de véus e fraudes
na simplicidade do destituído,
corpo sem pele
na falta de alento
de um sonho em carne viva.

(foto: livro redondo-1590- Google imagens).





sábado, 7 de julho de 2018

Poema



Hoje publico poema de minha autoria escrito em Língua Inglesa.

ANAMNESIS AND DIAGNOSIS

My body has symmetry
and Greek golden ratio.
My bones obey
the Gothic architecture.
My veins follow the flow
the shoals of red blood cells.
My organs are healthy
like fruits shning in the sun.
The pain I  feel started
the day I was born.

(imagem: Google)

terça-feira, 3 de julho de 2018

Tradução




Meu poema escrito em português:

ESTAÇÕES

Destruo
árvores e ninhos
para restaurar
ovos e aves.


Minha própria versão para o inglês:

SEASONS

I destroy
trees and nests
to restore
eggs and wings.


A tradução do dr. Ampat Koshy para o malaiala, língua  do estado de Kerala, Índia:

KAALANGAL

Muttakaleyum chirakukaleyum
veendum thirichu varuthuvaan
marangaleyum koodukaleyum
nashipikkunu njaann.

(foto: Cleber Pacheco)

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Floral



Há dias simples como tulipas
que não podem ser plantadas.

Há rosas esplêndidas
sem uma única pétala.

Certas flores exóticas
não cabem em canteiros.

(foto: Cleber Pacheco)

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Poemas curtos


POESIA

Defenestrar o dia
no parapeito do instante,
para capturar
borboletas em pleno voo.


EPIFANIA

Um sino soa
dentro da treva.


quarta-feira, 27 de junho de 2018

Tradução



O texto a seguir é minha tradução do poema de ANANYA DHAWAN. Ela é poeta da Índia,  editora freelance e leitora ávida, com Mestrado em Literatura Inglesa. Tem sido publicada em diversas plataformas literárias online e offline.

AQUELE MILIONÉSIMO SORRISO

Parei no meio do nada,
Ao distante "ser" olhei,
Uma onda de êxtase arrastou-me,
deixando-me fascinada e aturdida,.
Sorri para mim mesma,
em possibilidades mergulhei,
sem pesar, sem choro
ou suspiros infindáveis.
Sorri novamente
em direção ao fútil passado
e sua loucura -
que não durou.
Mergulhei adiante,
percorrendo outra milha ainda,
deixando coisas não ditas.
Outra vez sorrio...
Aquele milionésimo sorriso.

(Foto: Google)
 

segunda-feira, 25 de junho de 2018

O Livro dos Sete Selos Herméticos


 
   Sentou-se,fechou os olhos, a desvendar o Livro- Corpo e os sete Selos herméticos nele contidos.
   Abrindo-os um a um, acreditava conquistar o Universo.
   Meditando dia e noite,conseguiu romper cada lacre,sentindo-se apto a subir até o Selo seguinte.
   Já na velhice, enfim descerrou o último véu.
   Até descobrir que conquistara a Si Mesmo.

(imagem: Google)


domingo, 24 de junho de 2018

Blog

    Hoje deixo o meu agradecimento aos leitores do mundo inteiro que fizeram este blog alcançar mais de 100 mil visualizações.
   Isso prova que a literatura está e sempre estará viva.
   Abraço a todos.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Lançamento


Participei deste novo projeto da editora Penalux. São contos de Jack London ainda inéditos no Brasil. O livro apresenta um aspecto do autor quase desconhecido por aqui: histórias de cunho sobrenatural e de ficção científica.
Não sou o responsável  por traduzir o livro. Fiz a revisão da tradução. Também escrevi o prefácio e as notas de rodapé. 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

3 Histórias Breves



   1- Caminhando pela campina,o Peregrino encontrou uma gota de orvalho.Encheu o seu cantil.

   2- Atravessando a jângal, o Peregrino deparou-se com um tigre. Reinventaram a arte de brincar.

   3- Vendo a planta parasita estrangulando a árvore, transmutou-a, o Peregrino, em orquídea.

(imagem : Google)

terça-feira, 19 de junho de 2018

Microcontos

DISTOPIA

Seres andando por Metrópolis, etiquetas de preços penduradas nos pescoços.
Todos estavam à venda.
Liquidação.


O ESTRANGEIRO

Certa vez,pernoitando numa caverna,o Estrangeiro viu pessoas que usavam imensos colares  e andavam de quatro.
"Ouro", diziam.

domingo, 17 de junho de 2018

Carta de Li Po à Lua



( Texto extraído do meu livro Cartas Imaginárias)

   Contemplo a imagem sobre o lago, só um reflexo. Iludo-me dizendo a mim mesmo é ela, a própria; alcancei-a. Quem diria.
   Na noite seguinte, retorno ao mundo líquido, saudoso de sua luminescência e, inacessível, lá do alto, assombra-me o seu fantasma enquanto insinua és tu o verdadeiro espectro. 
   Silente, ao recolhimento torno, consciente de que só em sonho tocarei seu âmago de precioso jade.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Tradução



A postagem a seguir é minha tradução do poema do escritor e professor indiano Dr. Ampat Koshy.

ROLETA RUSSA

Nenhuma fenda na porta
Para permitir uma flecha através
Da escuridão da noite.

Nenhum alfinete pica minha pele
Para esclarecer o enigma
Num tamborilar ou tatuagem da chuva ou pecado

Nenhum raio de luz
Em seus seios
Para guiar meus lábios

Dois vazios são deixados
Beijo seu quarto frio

Ardo

Para não esquecer

(foto: Google imagens)





terça-feira, 12 de junho de 2018

Signo



Das delicadezas do frágil,
o escopo;
do taciturno e do insosso,
o indelével.

Expelir de ramo.
De raiz, consistência;
  quebrar de pedra na treva,
 definir da fome.

Genética de abismos
na superfície das insignificâncias,
gesto, compaixão e lume.

(foto: Cleber Pacheco)