sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Revista



A partir de agora, sou um dos colaboradores da revista bimestral SOPHIA, que trata de temas nas áreas de Ciências, Religião e Filosofia.
 A revista pode ser adquirida nas bancas ou por assinatura.
 O número 76 traz um artigo meu intitulado Dualidade e Unidade.  
 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Escritas


Às vezes é necessário
escrever sob
a chuva.
Enquanto alfabetizamos
poças d'água,
deciframos
o palimpsesto da lama.

Às vezes é necessário
escrever sobre
a areia,
para que possamos recriar
a lucidez do vidro.

Às vezes é necessário
utilizar a neve
para que o frio
 calcifique
a aprendizagem dos ossos.

(foto: Cleber Pacheco)


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Intimidade


Para ir ao trabalho
estou sempre atrasado.

Passear no sol
pode ser um sacrifício.

Mergulhar no lago
é uma impossibilidade.

Fecho os olhos,
abro todos os portais.

(imagem: google)

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Sonho


O espelho sonha
com o eco das sombras
sondando reflexos
no inacontecido,
compondo quadros
ao inexistente,
escavando esculturas
ao nunca.

O espelho sonha
com o sonoro,
converte o intervalo,
compõe o impossível,
sinfonia do silêncio
no alfabeto dos cegos.

(foto: Google)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Deserto



Sol de areia e ossos
cozendo
o calcinado cerne do nada,
desventrando
o nu,
o avesso do escaravelho
fundindo
a carcaça do vazio
em vestes de grão e medula.
Areia e ossos
a engendrar
um outro sol
nas entranhas do ermo.

(foto: Google imagens)

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Livro


Estou inscrito
em tuas córneas,
impresso
em teu aroma,
encadernado
em tua história,
recitando
as tuas Escrituras.
Estou traduzido
em todas
as línguas arcaicas e modernas.
Lemos
um ao outro
(inclusive em código morse
e snais de fumaça)
como os videntes
leem
as folhas de chá.
Rupestres, cibernéticos,
escrevemo-nos
na Biblioteca do Tempo.

(imagem: Google) 

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Microconto: Teologia


Os Doutores da Lei discutiam entre si. Um grupo defendia que é preciso usar apenas dois dedos para abençoar enquanto o outro afirmava categoricamente que se deveriam usar três dedos.
Enquanto isso, o menino colocou a sua mão sobre a testa do homem doente e o abençoou.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Sombra


Um mundo escavado na sombra
que se dissolve
no concreto das coisas
dissimuladas.

Um aviso
feito de assombro
recorrendo aos espasmos
do esquecimento.

Um soluço ígneo
na intimidade do claro
tatuando o obscuro.

(foto: Cleber Pacheco)

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Súbito


A vida é tão antiga
que perdeu sua validade.
Tão velha quanto,
a morte se aposentou
por invalidez.

O dia é neutro
e veste roupa branca
para quarar ao sol.

A terra incha
seu ventre,
o abismo abre
fundas goelas.

Nunca e sempre
despem-se
 disfarçados em quando. 

(foto: Cleber Pacheco)

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Mito de Cassandra


Dito foi. Mais uma vez
e outra.Não adiantou.
Nem profetizar preciso.
Basta ter olhos,como Tirésias.
Mas não veem nem ouvem
os homens. Falar não sabem.
Lascivas são suas línguas.
Dito foi e tanto que confundida
se tornou toda pronúncia.
Babel e monólogo, o homogêneo
inverossímil. Nem os criptógrafos
decifram-me. Mais feliz
foi a esfinge. E o que havia
para ser entendido? Mínimo
deveria ter sido o esforço; eis
a chave.Bastaria.Ninguém
 ousou. Do simples não se extrai
o sumo,dizem.

(imagem: Google)


segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A Grande Obra (IV)


Há um desvendar-se
na gratidão
de desconjuntar-se
sem a disjunção,

modo de abrir-se
refazendo o jeito
de enfim cobrir-se
com o não-feito.

Há um desvendar-se
refinado no apuro
ao contaminar-se
com o que há de puro,

modo de lacrar-se
desfazendo o feito
e enfim tonar-se
o avesso do direito.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Coração



Para que a noite amanheça
inaugura e rememora
é certo que o agora
é corpo sem cabeça
sabe que um poço
é um olho e um pescoço
e então repete
setenta vezes sete
à esquerda outro zero
à direita o tom sincero
assim anima e tolhe
o que planta e o que colhe

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Resistência



Eles posam para retratos
armados até os dentes,
sorriem e,aplaudidos,
escancaram a sanha dos brutos
no insano cio das bestas
que fecundam as presas da barbárie.

Não farei retratos,
não portarei armas,
não venderei a alma ao diabo.
Portarei livros
e a sanha da escrita,do verso
na seiva fina da poesia.

Estarei vertido em pedra e nuvem,
destilando o tremor e a treva
até verter todo o orvalho
que só o fardo do sutil carrega.

Estenderei, com firmeza, os braços
sobre a matéria fria do intangível
cravando o espírito da carne
na transubstanciação das entranhas
até fazer nascer a chama do poema. 

(foto: Cleber Pacheco)

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Save

#SaveBrazilianDemocracy

Resenha

   Rainha de Katwe escrito por Tim Crothers surpreendeu-me. Não se trata de um livro com preocupações literárias, mas preocupações humanas. Pensei que seria a clássica história de alguém que supera as dificuldades e se torna um grande vencedor, ressaltando a meritocracia e o louvor ao sucesso. Felizmente foge aos estereótipos.  Não vi o filme. Talvez este se enquadre  dentro do sistema típico de Hollywood.
   Felizmente o autor consegue mostrar todas as dificuldades de um país esquecido que o mundo insiste em fazer de conta que não existe. E entre os párias, a favela de Katwe, onde muitos não têm água, energia elétrica e fome é uma realidade diária. Pária entre párias, está a menina Phiona, que luta para sobreviver num ambiente sem perspectivas ou esperança.
   Sua história é narrada de modo comovente e sem sentimentalismos, sem final apoteótico e todo mundo batendo palminha como se tornou comum no patético imaginário fake criado pelos padrões vigentes. Trata-se de uma realidade crua,dura, incerta, repleta de pessoas com trajetórias sofridas, em situações aparentemente inacreditáveis para aqueles preocupados com o mundinho fashion, carros importados e clubes da moda, celebridades vazias que nada têm a acrescentar.
   Katende, o treinador e Phiona, a discípula, são exemplos de pessoas que nunca tiveram nenhuma facilidade em seu caminho,mas possuindo capacidades e talentos adormecidos, que nunca viriam à tona se não houvesse alguém para valorizá-los e que  vão sendo trabalhados, passando por superação, descobertas, iniciativas e, no caso dela, a miséria sempre presente, mas sem nunca esquecer a generosidade.
   Trata-se de um livro capaz de resgatar os rejeitados deste mundo, ainda que fique em aberto quanto aos rumos futuros. E isso traz ainda mais vida ao relato, tornando-o um convite à reflexão e fazendo com que voltemos nosso olhar a um continente injustiçado, com guerras civis,morticínios, exploração cruel de empresas multinacionais e que ainda serve como depósito de lixo de países que se dizem civilizados. 
   Um livro para quem ainda não perdeu sua humanidade.
 

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Perigo



Dois ou três passos e evita-se o abismo.
Um pouco mais à frente e o caos nos tragará. 
Que o Brasil jamais permita o fascismo.
Que o Brasil seja modelo de harmonia.
Que a vida vença o ódio.
Que a comunhão triunfe sobre a ameaça.
Ainda é tempo, Brasil.

domingo, 21 de outubro de 2018

Poema


Nas carnes do Universo,nas vísceras,
sóis, planetas, mistério.
Insuficiente é a geometria.
Em cada ponto nasce, sem corpo, o avesso.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Abismo

   O país caminha rapidamente em direção ao abismo com um sorriso estampado no rosto. Velhos lobos conduzem as ovelhas ao abatedouro. A nau dos insensatos quer afundar.
   Manipulação,manipula,ão.manipulação. Extremismos,fanatismos, insanidade. lembrando-nos a famosa frase :"Tem olhos e não veem, tem ouvidos e não ouvem."
    Outros países também estão sendo assolados pelo extremismo. Vivemos uma era de falsa democracia articulada pela ganância insaciável das grandes corporações,que almejam o poder absoluto às custas da destruição do que há de melhor no ser humano.
   Até quando intelectuais e artistas conseguirão se expressar? Numa época de pensamento raso, ignorância e consumismo, as distopias avançam, negando a poesia da vida. Só almejam poder e dinheiro a qualquer custo, incluindo destruição e sofrimento.
  O país está prestes a mergulhar no fundo do poço.A pergunta é: só nos restará dizer "não foi por falta de aviso?"
 
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Microconto: Ver



Uma descoberta a cada manhã.
 Abriu a cortina e viu o mar.
 Abriu a cortina e viu o Everest.
 Abriu a cortina e viu o abismo.
 Abriu a cortina:trevas.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Poema

  Meu poema que foi um dos vencedores em concurso na Índia:

SMILE

I know now
I do not need my mouth to smile,
my eyes burn the silence.

I also, discovered
I do not need huges to smile,
one flower in the pot is enough.

I'm sure yet
that my gums bleed
but the intention grows white and red
between my lips.

I recognize
the strangeness of this smile,
injured before being born,
crushed before it is built,
spent before starting,
but such existence offers
everything that shaped
the forms of my body,
the air circling mu lungs.

Death ad Life
have designed
my smile
in exact measure
and this is, of all,
my best work of art. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Concurso



Meu poema Smile foi um dos vencedores de concurso literário na Índia.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Rowling


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Resenha



     Com tradução de Helen Rumjanek, o romance Nada de Novo no Front, de Erich M. Remarque é um livro significativo da literatura com o tema da guerra. No caso, a Primeira Guerra Mundial. Com cenas fortes e impactantes, ele nos faz pensar e sentir. Impossível concordar com a violência e os falsos patriotismos. O autor desmistifica tudo, pondo abaixo as fantasias heroicas, mostrando a realidade nua e crua. A perversidade da violência, a desumanização, o impacto negativo sobre a vda dos combatentes. Quando foi lançado, o livro incomodou e até hoje nos perturba.
   Momentos narrativos como a do combate  num cemitério, ou a situação crítica no lodo em meio ao fogo cruzado, o retorno para casa e,posteriormente, para o front, o final marcante,entre outros momentos, fazem deste romance um libelo a favor da paz,embora não haja nenhum discurso explícito neste sentido.Nem é necessário. A força da escrita e dos acontecimentos fala por si só.
   Numa época de turbulência como este início do século XXI é importante que leiamos a respeito do início do século XX. Aliás, alguns historiadores e pensadores contemporâneos comparam esses dois períodos, afirmando que são muito semelhantes.
   Quando um escritor retrata muito bem uma época, o texto sobrevive ao passar do tempo, pois consegue transcender períodos e efetuar uma abordagem das misérias humanas diante de uma violência sem sentido, que beneficia apenas a interesses escusos de gente sem escrúpulo que usa a guerra para enriquecer.
   Devido a este e por outros diversos motivos, trata-se de um livro que sempre vale a pena ler.
 
 
   

sábado, 29 de setembro de 2018

Retábulo



Nos quadrantes da Terra
pintarei um retábulo,
partes de céu e de selva
em articulação removível e transversa
no coração do Cosmos,
misto de poesia e esperma
no útero da matéria,
compondo formas além
da forma,desarticulando
cálculo e geometria
para compor o espanto
nos estigmas do genuíno,
recompondo, do vítreo,o organismo
com as glândulas sudoríparas do etéreo.
em fome de linhas e argilas
expelindo o magma do fluxo
do existir no orvalho do vivo,
acatando o sereno da insônia,
revelando o amálgama do simples
nos oratórios do cavo,
na imensidão do mínimo,
em composição de magia e enigma
com refinada arte simplória
de revirar as entranhas do Ser.

(imagem: O Cordeiro Místico by Jan van Eyck).



sexta-feira, 28 de setembro de 2018

#elenão



Que a democracia não seja destruída pelo fanatismo, pela violência,pela insanidade.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Microconto: Ítaca



    Durante o dia, Penélope tece. À noite,destece. Ao despertar, Ulisses descobre que mais uma vez o mundo mudou, o que dificulta seu retorno.Seu sonho é que Ítaca permaneça sempre a mesma.

(foto:Google)

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Brasil



No fedor do suro e do insano
um país apodrece
entre as larvas do velho
e a vivissecção do novo:
pele arrancada, entranhas expostas,
geografia de fomes e medos,
decomposto e coagulado
na ganância insidiosa
de roer a si mesmo,
resquícios de sombra e cadáver
na imolação do vivo:
a devorar organismos e filhos,
Cronos no hospício das gulas.

(imagem: Google)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Paramashiva


No metassilêncio
o som originário
desprendendo-se,
criando
manancial de organismos,
sementes
fecundando fluxos,
geração
de som e ritmo
nas cavidades do morfema,
página impressa
no scriptorium do âmago
do Livro da Vida.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Arte Poética


 Nas linhas da águas
todas as formas
do sólido.
Na caligrafia da água,
a mãe dos alfabetos.
Incolor tinta
impermeabiliza
o insólito.
Fluidez de ritmos
a investigar
o monótono.
Nos hexagramas do líquido,
o nanquim do ideograma.
A água é chinesa
em sua estrutura.
E sempre descama
a alma do fixo.
Nas pupilas do peixe,
o assombro do poema.

(imagem: Google)



sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Existência



O sol no olho
que colhe
a luz,
o enigma da sombra
acolhendo
o dia ,
o corpo-planeta
redefinindo
silhuetas no universo
da antimatéria.
O sol
restituindo
a córnea
ao revelar
as trajetórias da luz,
restauração e raio
inflamando
o acaso das certezas.

(foto: Cleber Pacheco)

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Caos



Caos fecundo
gerando
profusão,
abundância
nascida do fortuito,
sutileza exposta
feito fratura
no esqueleto do Cosmos,
nicho e ninho
acolhendo
o Ovo originário
em implícitas perspectivas,
caldo de estrelas
jorrando
no imo da treva:
face lúdica do Nada.

(foto: Cleber Pacheco)




quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Resenha



   Havia lido o primeiro romance de Jane Austen, A Abadia de Northanger ( Northanger Abbey) , em que a autora fazia uma paródia dos romances góticos, tão em voga em sua época. Obviamente l o seu livro mais famoso, Orgulho e Preconceito.  Decidi então ler o seu último livro Persuasão (Persuasion). 
   Anne Elliot, a heroína, não tem a vivacidade de Elizabeth Bennet, mas tem a sua determinação. Isso não nos faz desgostar da personagem.Ao contrário, sua discrição, silêncio e gentileza acabam por torná-la ainda mais interessante. Subestimada pela própria família, parece permanecer em segundo plano o tempo todo. O pai é tolo e vaidoso. A irmã mais velha é completamente esnobe e indiferente. A irmã Mary é egoísta e hipocondríaca. Anne se distingue de todos eles por seu discernimento e inteligência, por sua capacidade de avaliar corretamente as pessoas e não se deixar enganar pelas aparências.
   A sua situação quase apagada é enganadora. Se mesmo entre a maioria dos conhecidas ela é tratada de modo condescendente, na verdade Anne está em todas as situações, atuando de modo quase imperceptível, sempre presente. E as pessoas,mesmo que não percebam,acabam sempre por solicitá-las nos momentos críticos.
   O capitão Wentworth, por sua vez, não tem a pose aristocrática de mr. Darcy. Também é discreto, mas leal, assemelhando-se à Anne em muitas coisas.
   As aparências são enganadoras. Ambos têm personalidades admiráveis em meio a uma sociedade frívola e ridícula. Jane Austem, com humor e ironia, sabe muito bem retratar os ambientes, com olhar crítico.
   Confesso que aprecio Anne tanto quanto Elizabeth. Há semelhanças e diferenças. Mas a conduta de Anne desperta a nossa admiração. Creio que ela seja a mais madura de todas as heroínas de Jane Austen. O sofrimento, a separação e o aprendizado com as próprias experiências a tornaram assim. Importante lembrar que, um ano após concluído o romance, a autora faleceu.
   Sem dúvida uma  boa leitura. 

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Conto: Espaço




   Colocar o piano provocou certos ajustes.
   Para entrar na sala, tiveram de retirar a mesa.Mas para que a mesa pudesse permanecer, tiveram de retirar as cadeiras.
   Para que as cadeiras ficassem, tiveram de tirar as folhagens. Se quiseram deixar as folhagens, tiveram de colocar a escultura no corredor. Mas a porta não abria e a escultura voltou para a sala.
   Voltaram a tirar as folhagens. Mas na cozinha não cabia mais nada.
   A escultura foi para o quarto.Mas aí não podiam abrir o guarda-roupa.
   Ele então sugeriu colocá-la no banheiro.
   Ela brigou com ele.
   Ele gritou com ela.
   Ela bateu nele.
   Ele revidou.
   Ela chorou.
   Ele jogou a escultura pela janela.
   Ela fez um esforço, provocando um pequeno deslize do piano, fazendo com que despencasse escada abaixo.
   Ele saiu porta afora, deixando o apartamento.
   Ela finalmente pôde colocar todas as coisas em seu devido lugar, suspirando aliviada e satisfeita.
 

sábado, 1 de setembro de 2018

Microconto; Nêmesis



Sobre minha cabeça, ao passar pela calçada, o cuspe.
A cada semana o maldito não permite transeuntes, mas outra vez  passarei por ali , como sempre faço, só que dessa vez sem o meu chapéu novo,sob.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Rever



Reverter o insano
até a sensatez do frio,
reproduzir o aroma
das coisas esquecidas,
realinhar o neutro
das linhas limítrofes,
restituir o anonimato
das enciclopédias,
respirar a pureza
nos ventrículos do lodo.
Arte e astúcia
nos desencontros
do mundo.

(foto: Cleber Pacheco)

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

CUBO

 (Texto extraído do meu livro ENIGMAS:)

   Um homem deitado, em vigília, num quarto, sobre uma caixa de madeira  onde faltam os cinco lados restantes.Do outro lado do mundo, cinco monges deitados, posição fetal, dormindo, em caixas de madeira faltando apenas um dos lados.

sábado, 25 de agosto de 2018

Resenha


   O que me interessa nos livros de Josh Mallerman são as suas idéias originais: em Caixa de Pássaros ele contava a história de uma ameaça indefinida. Quem abrisse os olhos,enlouqueceria. Neste Uma Casa no Fundo de um Lago o autor cria uma situação que tanto pode ser sobrenatural como uma mera fantasia de adolescentes. Em ambos os casos não há muitas explicações, não há respostas prontas e acabadas com todo o mistério desvendado no final. Isso torna os livros mais interessantes. É muito raro hoje em dia encontrar ambiguidade em textos mais comerciais.  Em geral o público não entende ambiguidade, sutileza,as entrelinhas. Como o desenvolvimento da indústria da cultura e do entretenimento, o nível cultural do leitor médio é cada vez mais baixo. Os textos são cada vez mais simplórios.
   Bem, conforme comentei, o que me interessa nos livros dele é exatamente a concepção de suas histórias e a estranheza que elas suscitam, assim como esse aspecto dúbio que elas trazem. Não há vampiros,lobisomens,fantasmas, que o mercado editorial já tratou de saturar despejando inúmeros títulos para lá de medíocres. Isso não quer dizer que o a escrita de Josh seja exatamente um primor literário. Neste livro em particular, o seu estilo é ainda mais primário, realmente muito fraco. Não há muito cuidado na elaboração das frases. Parece ter sido escrito para alunos do ensino fundamental que não conseguem entender uma palavra um pouquinho mais culta. Este é o ponto fraco.
   O final em aberto enriquece a proposta e é acertado. De qualquer modo, vale pela sua capacidade de criar situações incomuns, realmente insólitas. O que, em termos de bestsellers  de hoje, já é alguma coisa. 
 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Ainda



Talvez
as flores
que plantei
nunca cresçam,
sequer nasçam.

Restarão,
ainda assim,
os vasos
que larguei
por aí.

(foto: Cleber Pacheco)

domingo, 19 de agosto de 2018

Resenha



O escritor A. J. Finn em A Mulher na Janela recicla os filmes de Hitchcock e faz um romance de suspense com todos os ingredientes próprios dos filmes do mestre. A história tem suspense e é interessante. E a personagem Anna Fox é o que de melhor existe no livro. No entanto, ao concluirmos a leitura, fica claro que já vimos tudo isso antes.
   Para quem lê atentamente, não fica difícil obter a resposta antes do final.
   Quem conhece os filmes Rear Window e Vertigo irá se divertir e perceber as semelhanças. Quem aprecia o gênero noir  também encontrará várias referências.
   Trata-se uma leitura agradável, mero entretenimento, que segue as fórmulas conhecidas com eficiência para manter o leitor interessado, seguindo os passos de Anna, que sofre de agorafobia. É a personagem que nos prende, pois sua situação angustiante gera empatia e nos torna solidários com as suas limitações e sofrimentos. 
   Não encontraremos aí literatura de alto nível. Nem é esta a intenção.
   De qualquer modo, para quem gosta de romances policiais e de suspense, vale como uma dica para efetuar uma leitura leve.
 

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Identidade



Sou de lugar nenhum,
desconheço cavernas,castelos,
minha jornada é de areia e neve esculpidas
e desmente qualquer estudo antropológico.

Minhas impressões digitais
só marcam a água
fluindo velozmente
em direção aos vapores.
Minhas pegadas são dissolvidas
enquanto tocam o solo
brotando larvas e fósseis
em jardins de incerteza.

Meus olhos foram esculpidos
com relva, vidro e nuvens
espreitando constelações, galáxias
através do desconhecido.

Sou de todos os lugares,
não estou procurando abrigo,.
Aceito chuva, tempestade, trovão
porque aprendi
a explorar florestas e desertos
tendo meu coração como guia.

(foto: Cleber Pacheco)

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Poema




   LOCAL-MAPA

Tudo o que tem um aqui
aguarda dura prova
do solo que tem em si
promontório e cova
espera-se que o traçado
todo distante remova
extraindo do parado
a viagem que o resolva:
se um é puro risco
o outro só é cisco

sábado, 4 de agosto de 2018

Revista digital

 Três poemas de minha autoria podem ser lidos na revista digital Literatura e Fechadura  acessando o link:

http://www.literaturaefechadura.com.br/2018/08/04/tres-poemas-de-cleber-pacheco/


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Poema

  Hoje posto um poema meu em Língua Inglesa:

GENESIS

One more poem
and the world shall be saved,
stones will be redeemed
and roses will be blue.
Perhaps only poets will ressurrect
on the day of the Apocalypse.
Until then  it is necessary
recreate the world
to unveil
human designs
after the seventh day.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Entrevista


https://comoeuescrevo.com/cleber-pacheco/

Clique no link para ler minha entrevista: COMO EU ESCREVO.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Resenha



Remorsos Para Um Cordeiro Branco é o livro de poemas da cubana Reina María Rodríguez traduzido por Josè Eduardo Degrazia e publicado pela editora Penalux em 2018.  Trata-se de mais um trabalho pioneiro de uma editora que tem surpreendido  e lançado obras importantes.
   A poesia de Reina é  cheia de beleza, de minúcias que ganham grande significado, de miudezas que vão se ampliando cada vez mais e ganham proporções inimagináveis. Transitando do particular ao universal, seus poemas são íntimos, muito particulares, mas adquirem uma expressão abrangente. Por isso mesmo, impressionam:
          as cerejas me obrigam a te buscar.
          e trago a cesta dessas provisões.
          qualquer felicidade que caia das árvores
          redonda feita de ar
         como será a abstrata tão famosa.

   Ou então:

      olha e não as descuides.
      as ilhas são mundos aparentes.

   Utilizando-se dessas imagens mínimas como uma formiga, um ramo, uma flor, um gato, bonecas, uma avestruz,  um piano, a água,  a autora vai ampliando para as paisagens, a ilha, um arquipélago, cidades, o mundo. Esse crescer contínuo dá uma nova  dimensão  e cresce ainda mais ao trazer referências literárias e artísticas como Tintoretto, Céline, Yves Bonnefoy, Roberto Calasso, Marina Tsvietáieva, etc.
   A aparente simplicidade dos versos revelam uma poesia rica e refinada,  resultando belos poemas como Coisinhas Chinesas:

     Vou diariamente ao bairro chinês para buscar essas
      coisinhas que parecem verdadeiras , que tenham
      perfume de cura (...)

    A vida , a dor de viver , a culpa, a frustração presentes na imagem do cordeiro, sintetizam a capacidade da poeta de abordar os desafios do viver, mesclando emoção e reflexão, o sentimento que faz pensar. O seu lirismo, portanto, apesar de intenso, não se deixa afogar no sentimentalismo. Muito pelo contrário, faz pensar e repensar a existência, mas se trata de um pensamento que nunca prescinde da delicadeza.
    É um livro para ler e reler sempre.   

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Microconto: Ano 2.100


Contemplando o jardim de flores de cristais de Murano orgânicos polinizadas pelos nanorobôs, exclamou o menino:

- Como é bela a natureza!

domingo, 22 de julho de 2018

Sefirot


Sefirótica é a árvore
dos segredos.
Todos passam
pelo caminho
da Beleza,
o Infinito
que clama
subida e travessia
em suas moradas
de espanto e alumbramento.

(imagem: Google)

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Viagens


Fazer,do sertão, a travessia,
para chegar a Balbec.
Sair da casa dos mortos na Sibéria
para mergulhar no Ganges.
Abandonar Amherst
para navegar em pleno Nilo.
Ler é Heráclito e rio.

(foto: Google)

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Poema



Um poema de mina autoria em Língua Inglesa:

ROSEBUD

I'm the masters of calligraphers.
I can easily win a race.
I swim with precision and elegance.
I know how to die every day.

Words are healing poisons.
Running is a void dive.
Swimming is watering water.
Dying is the only talent that really blooms.

(foto: Google imagens)

Internacional


 Meu poema GUIDES foi selecionado e publicado pela Suisun Valley Review, nos Estados Unidos.