quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Vislumbre


 Nem dia ou noite,
nem luz e treva,
distensão de enigmas
a se entrecruzarem
na abside do instante.

Furor do insidioso
no que não tem norma,
lapso de agora
em desonras de sol e lua.

Entreato,
vínculo do que de tudo
foi desvinculado
em ferocidade de clavícula exposta,
fulgor do opaco
nos descaminhos do íntimo.

(foto: Cleber Pacheco)

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Frágil



Tudo
se esboroa,
cai,
fenece.

Todo dia
é dia
de morrer.

(foto: Cleber Pacheco)

terça-feira, 17 de outubro de 2017

BRUTO


Não bruta é a pedra,
o seixo,mais bruto
é o homem em suas artes de besta,
mais bruta é sua verve
calcinada de veneno,
sua honra espúria,
sua insaciedade de sangue,
mais bruta é a viuvez
da delicadeza em fragilidade
de fio.
Rara é a pedra,
ainda que não lapidada,
em sua aspereza e  crua saliência,
reavivando as ranhuras do corpo
estiolado nas agruras do instinto,
em fragilidade e nudez irrestrita
diante da desumanidade do humano.

(foto: Google)

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Árido

 Pode,o árido, ter a sua sina,
embriaguez seca de modos,
fatalidade de discernimento,
sem calor ou brasa ou sumo,
capaz ainda de reverter
o avesso à sua face,
criar raiz e entrave nas frestas
do mundo.
Aridez,
um outro oásis de possíveis.

(foto: Cleber Pacheco)

sábado, 14 de outubro de 2017

AUTOR CONVIDADO



   TIAGO PAREDES nasceu em Valpaços, Portugal.  Atualmente está terminando o Curso de Programação de Sistemas Informáticos . A sua grande paixão é a literatura.


Receita para uma vida inspira a luz que te oculta expira a escuridão que te ilumina ofusca os que pensam elevar-se mostrando que entre os homens não existem vales nem tampouco colinas bebe das estrelas que o tempo calcou explode na imensidão do silêncio que pesa faz-te lua colado à planície dos mares e descobre em ti a natureza que por lá navega

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Efêmero


Desfazer-se
é próprio das coisas inconclusas:
o inacabado tende a despir
as carcaças do abandono
em vestimenta de osso e treva.

É próprio dos acabamentos
a busca pelo destituído,
nutrir de chão sem solo
e céu sem firmamento,
fossilizar de vapor em âmbar.

Restituir
é só um modo
de reiterar a redundância
do ausente.

(foto: Cleber Pacheco)

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Saber


Saber
é mais do que modo
ou estar em contato.

Saber
é tornar-se
a coisa,
não só olhá-la ou vê-la.

Saber
é mergulho
e corrente.

Voragem
que assombra e expande.

Saber
não é culto,
é fluxo.

(imagem : Google)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Salto


Dar o salto
que se desconhece,
onde não se sabe
em que se investe,
pulo,
forja,
ir adiante,
repensar
de escuro
mesmo sem antes,
depois desvestido
em recesso e espanto,
esculpir de fio
em tessitura de abismo,
medo tecido no encanto.

(foto: Google)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Arte


Obre de arte
é a vida,
o instante,
é o que vibra
em foco e sentido,
revelação a nutrir
todos os espaços.

Arte,
a agonia e o êxtase
de existir e ser
na varredura dos quadrantes.

(imagem: pintura de Alexandre Brun)

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Mundo


Profano
é o mundo
em sua avidez.

Cegos e tolos
a arder
em vão.

Vida:
misto de Eclesiastes, Gênesis e Apocalipse.

(Foto: A Sagrada Família- Gaudí- Google).

domingo, 1 de outubro de 2017

Fadiga


Limites, êxodos,
circunscrições e circunferências,
âmbitos que se desfazem,
repovoam,
recuam.

Momento
de esgotar-se
em limo,em agonia,em dano,
espírito carcomido
de amplitude e fastio.

Exaurir
de acúmulos
no retinir dos desatinos.

(foto: google imagens)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

ILUSTRAÇÕES E DESIGN

    Já mostrei aqui no blog fotografias de minha autoria,assim como desenhos e pinturas.
    Hoje estou postando as ilustrações de autoria de Fabiano Pacheco Barbieri. Ele  é designer  e reside em Balneário Camboriú-SC.  Já fez capas de livros e cadernos. Ele ciou em primeiro ligar no concurso Fimar 2016 Yacht design & moda náutica  Categoria Profissional.

                                     

















                                        ( Imagem do projeto vencedor- concurso Fimar 2016)




quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Escritas


Do mais antigo,
a escrita
a reavaliar o vivo,
redimensionamento de palavras,
ordens,oráculos,
um fazer fortuito
a desfazer o definido,
a elaborar o novo,
arcaico e vanguarda
em comunhão de tempos.

(foto: google)

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Perambular

O mundo
a corroer
almas,
perambular
de drogados,vadias,
aglomerações
de mortos.
Derruir
de corpos
no desnutrir dos vazios,
elisão
de luz
no furúnculo da treva.
Mundo
a se esvair
em ácido,infâmia e nada,
fábrica de ocos
nos descaminhos
da humana miséria.


(foto: Google)

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Ir


Ir
aonde
ninguém
foi.

Respirar
debaixo
dágua.

Escalar
o abismo
sem fundo.


o
impossível
remove
montanhas.

(imagem: Google)

sábado, 23 de setembro de 2017

Estigma



Iluminar
a forma
atravessa
camadas de alumbramento e treva,
insanidade
revestida de ordem
e dramaturgia,
saliência,reentrância,
cor que se desvela,
consistência inundada
de impalpável,
redundância
de estigmas
assinalando o mapa do sensível,
transitório
que se desdobra
em dicção e sintoma.

( imagem: pintura de Santiago Rusiñol)

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Resenha


ENTES

Este é um prato cheio para os psicanalistas que todos somos.  Cleber Pacheco nos faz ver o que escreve, como um  García Márquez, e é tão... surreal quanto ele e Lorca e Zé Limeira, além de sombrio feito um Augusto dos Anjos ou Poe. Li o livro como se estivesse vi/vendo o thriller de um sonho de garoto,  cheio de visões à Odilon Redon, como Lua olho que tudo penetra tudo vê, ou à David  Lynch, como legiões de entes revirando-se numa toca deflorada no solo, em que se poderia ouvir  lamentos dos danados. Olha só: “Toca boquiaberta”,“o velório da tarde”, “babas do obscuro”, “Bulício da mata,  ganância da noite”:  pepitas na escuridão em que se sente uma inquietação vazando pelas frestas e onde  soam hinos que não são ouvidos.
ENTES é um pesadelo, na verdade . Por que? Porque não se trata de remexer de folhagem ou bicho, de vasculhar de brisa, de fustigação de besta. Não é em volta dele, nem diante ou atrás, é dentro.
Dentro.
Daí que nunca se sabe, nesse suspense, o que de fato se passa, qual a anatomia do acontecimento.  Séculos atrás devorei, no Tesouro da Juventude, tudo aquilo que o garoto Lúcio ouve ao ligar um mero aparelho de rádio que ele torna... estranho.  Dentre chiados zumbidos roncos, regurgitava, o aparelho, uma voz – dizendo coisas que eu lia fascinado, no “Livro dos Porquês”, da coleção:
       
       Você sabia que as minhocas são hermafroditas? De onde veio a água que existe na Terra? Como os favos das abelhas viram hexágonos? Quais são os animais extintos que ainda podem estar vivos?  Qual a idade da Terra?
Mas lá vem o terror:
Corria a menina Alice enquanto gritava a rainha em seu encalço: Cortem-lhe a cabeça.

Comece a ler. Os ENTES de Cleber o esperam. Com gula. 

(Texto de Waldemar José Solha).

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Abandono


   O olhar irritado do dono da livraria faz com que eu me retire. Nenhum livro levo comigo.Nunca compro.Só preciso estar ali de vez em quando. Ou no local onde fazem sanduíches. Costumo comer sozinho. Ou na praça,onde admiro a chafariz e a seguir me afasto. Visitar sempre os mesmos lugares fornece uma falsa sensação de familiaridade.De fato falsa,pois sempre me olham com hostilidade e acabo me retirando.Mesmo que permaneça sempre num silêncio discreto.
   Vejo agora a mulher solitária a perambular também pelas ruas,sem rumo. Talvez esteja bêbada. Reconheço os solitários a quilômetros. Todos conseguem sustentar o mesmo aspecto devastado de quem não tem para onde ir.
   Então aproxima-se um carro com dois desconhecidos dentro. Eles param e me oferecem uma carona. Algo parecido nunca aconteceu antes. Ambos mantêm aquele ar desolado  semelhante ao meu. Aceito.Entro e damos voltas sem trocar uma só palavra.
  Súbito o carro vai rumando para a saída da cidade. Na calçada avistamos um garoto,com aspecto sujo. O carro aproxima-se dele,um dos passageiros abre a porta,o menino entra.
  Seguimos até nos afastarmos completamente de qualquer vestígio de civilização.
   Na quietude da noite, os pneus deslizam sobre o asfalto.
   Depois de horas, avistamos uma descida e o mar lá embaixo. Sem motivo aparente,estacionamos.
   Desço até a praia,percebo que o garoto me segue. Num impulso,seguro a mão dele e trilhamos o caminho sem olhar um para o outro. Ele aperta os meus dedos.
   Ao chegarmos,descobrimos uma construção de pedra.Abandonada.
  Entramos,explorando o espaço. Ele não larga a minha mão. Não há nada ali para ver.Apenas paredes e janelas trancadas. Pelas vidraças contemplamos o mover das águas.
   Com habilidade,largo-o, puxo a porta emperrada que ele não conseguirá abrir e o abandono sozinho lá dentro.
   Vejo pela última vez o rosto de olhos apavorados.
    Volto a subir.Embarco no carro ainda à minha espera.
    Partimos.

(imagem: Google)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Expansão



Fusão de flores,
cor em expansão,
aroma.

Mulher em atrito
de terra e sementes,
plantar.

Jardim.
magia de rizomas.

(imagem:  pintura de Jacques Tissot)



sábado, 16 de setembro de 2017

Nativo



Também sou nativo,
anterior a Adão,
nutrindo e nutrido
caça e veneno.

Feroz e pacífico,
guerreiro e xamã,
ingênuo e sábio
como quem bebe das fontes.

Restrito e amplo,
sereno e rebelde,
aguardo
a inseminação do genuíno
nas corrupções do mundo.

(foto: nativo brasileiro- Vincenzo Pastore

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Nação


Ratos invadem
o país,
roendo a roupa do rei,
roendo a roupa do mendigo,
roendo os alicerces
do que se esboroa.

Morre
a Nação,
carcomida de podridão , apatia e nojo,
em beatífica imbecilidade.
A verdade definha
nas mentiras vendidas
a peso de ouro.

Danação.

(imagem: google)

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Impossível


Crer
no impossível
é um modo
de não crer.

Ouvir-se
e ir
sem
afogar-se
em ervas daninhas.

Ir
e ver
que a possibilidade
nutre
células de construir-se,
reerguer-se,
redescobrir.

O que nunca ninguém fez
é minha rotina.

(imagem: google)

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Percepção



As pedras compreendem,
a relva compreende,
até mesmo as bestas compreendem,

assim como as nuvens e o rio.

A sinfonia acata e acolhe,
mesmo em silêncio.

Só nunca compreendem mesmo
os homens.

(foto: Cleber Pacheco)

domingo, 10 de setembro de 2017

Graal



Receptáculo
e emanação,
transbordar
e se dispor,

torna-se
aquele que emana
luz
no âmago do ser,

cálice,espada,
glória
que se completa
em si mesma,

Graal,
fonte e fluxo
do florescer
da Luz.

(imagem : Google)

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Refúgio


Uma biblioteca,
um jardim,
um gato.

Se preferir,
um dia de chuva,
um cobertor,
uma xícara de chá.

Por um instante,
não há trevas.

(imagem : Google)

domingo, 3 de setembro de 2017

Expresso Oriente



Viajo
para lugar nenhum.
Os passageiros
me olham
e não me acolhem.

Vou
em trens imaginários,
observo
as vestes de sede.

Esqueci de levar
o almoço,
já se tornou normal
a minha fome.

(foto: Orient Express- Google)

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Distâncias


Ir
além
de onde se pode ir,
vencer
a si mesmo,
o mais distante
é sempre perto,
transcender é imanente.

Funduras
estão abaixo da superfície,
no mais alto:
aqui
é a maior distância percorrida
no Eterno.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Arte com livros : fotografia








(fotos: Google imagens)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Processo de criação

domingo, 27 de agosto de 2017

Fechar

Por trás do segredo,
a sala sem mobília.

Pedaços,vínculos, raízes
reunidos em armadilha.

Antes e depois
do lacrado,
a quietude dos agonizantes.

(imagem: google)

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Compromisso


Não estarei
entre as ovelhas,
não farei parte do rebanho,
não acatarei
ordens,desmandos,perjúrios,
não estarei na fila de aduladores.

Quando  o Não
é mais que mera sobrevivência,
 um modo de afirmar
a Vida.

(foto: google)



terça-feira, 22 de agosto de 2017

Escolha

Não escreverei
poemas sobre a alma
ou o silêncio, 
nem versos de amor.
Escreverei
sobre pedras e relva,
chás e xícaras,
calos nas mãos
enquanto a morte ronda,
de modo sinistro,
os besouros do meu jardim.


(foto: Google) 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Poesia



Desvendar
o indevassável,
definir
o indizível,
expelir
o que não tem dentro.

Poesia,
o corpo da impostura.

(foto: google)

sábado, 19 de agosto de 2017

Resenha


    No romance Enclausurado ( Nutshell) de Ian McEwan a narrativa tem um ponto de vista original: ainda no útero, um bebê conta a história de sua mãe e do amante dela que planejam assassinar o seu pai, um poeta fracassado e editor de outros poetas que, assim que conseguem algum reconhecimento, o abandonam sem remorso.
   Livro contundente, desconcertante, provocativo, cheio de humor e sarcasmo, por vezes nos assombra. Cumplicidade,conflito, ódio e amor, rejeição, abandono, traição, mediocridade, desajuste, ânsia pela vida, o perigo da morte, crueldade, vício, beleza,banalidade. Muita coisa está ali. \E tudo é mensurado por alguém que ainda nem nasceu. Por isso mesmo é capaz de sinceridades e,até mesmo, de alguma hipocrisia e cinismo.
   Muito bem escrito e provocativo, o livro faz uma reflexão a respeito do nosso tempo, da condição humana, do talento e da falta dele, dos temores e das ousadias, das incongruências e contradições humanas, com suas fraquezas. Há muito para se observar,perceber,analisar, embora o texto não seja muito longo. Isso é raro na literatura contemporânea, onde há muitos livros corriqueiros com pouca coisa para dizer.
   Pode-se afirmar que é um romance instigante, feito para refletirmos, sentirmos, misto de humor e de espanto.  A história nos prende e surpreende o tempo todo.
   Posso,com certeza, incluí-lo na lista dos melhores livros que li este ano.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Conhecer


Saber
é mais que repetir,
investigar formas,
apontar dardos.

Desconhecer
também é modo,
ainda que ao avesso,
tecer outro de vontades
que se desencontram
nos abismos do vasto,
anelo,
sofreguidão e silêncio
corroendo
os campos do Indizível.

(foto: Google)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Rosto-Retrato


Estranho espelho
sombra mumifica
fazendo do velho
sua face mais rica
mas o guardado
ainda que monja
ao ser vedado
torna-se esponja
ao ser quebrado
desarranjo provoca:
é redobrado
que cava sua toca:
se algum deles atinge
ambos são esfinge

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Livros

Livros com capas muito interessantes. Vale a pena conferir.







(Fotos: Google)