Hoje
Hoje eu quero um poema
que me faça trincar
os dentes, perfurar os olhos,
, pedir
transfusão de sangue
para nossa anemia.
Poema que não cure
insônia e desperte
as quatro estações ,
poema que declare
a renda e que esmole
palavras em sânscrito
para espantar os mudos,
poema que destile
a voz para sanar os surdos,
poema que reconfigure
a morte em sábado de aleluia.
Hoje quero um poema sólido,
líquido, gasoso para abraçar
todos os estados da matéria
e depois cravar
o punhal da vida
na coluna vertebral dos invertebrados.
Hoje quero um poema que não coagule
e se derrame sobre as vestes
do crucificado.
Hoje quero um poema límpido
num ato híbrido
e que nos desfaleça
perante a voragem
do imprevisto.
Hoje quero um poema extinto
para ressuscitar
os fósseis do imprevisto.
Hoje quero um poema
que me faça morrer
diante das dobras do Infinito.


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