Cidade Submersa
Chove sobre
a cidade submersa,
liquefazendo o que já é aquoso,
dobras do ventre grávido
de peixes e criaturas
que nunca dormem.
Chove na cidade sub-
mersa, o que dela escorre
é mais que água :
miríades que se alastram
em estranheza e escamas.
Chove no mundo que se funde
em imersão perene
e em insanidade reabilita
tudo o que teme.
Chove sobre o oceano,
chove, e a vida representa
o seu papel mais ignaro :
mal sabe a água
que se repetir
é um modo de se des-
encontrar e quando
a água se abate
sobre a água,
os peixes nadam com mais afinco
e o abissal abre
sua tumba para engolir
os que se atrevem


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