quinta-feira, 30 de março de 2017

Autor Convidado


   Claudia Manzolillo é do Rio de Janeiro, licenciada em Letras pela UFRJ, especialista em Educação e Mestre em Literatura Brasileira.  Revisora de textos. Participou de antologias poéticas como Blasfêmeas: Mulheres de Palavras. Publicou seu primeiro livro de contos A Dona das Palavras pela editora Penalux que foi premiado em 2016 pela União Brasileira de Escritores.

PERTENCIMENTO

Não tenho Taj Mahal
mas tenho um mar abissal
esse me pertence
e ninguém me rouba
queria brincar
de raso
café com pão
arroz e feijão
mas meu sonho é ouro
é outro
só eu sei
e nada mais

.


PINTURA

o ritual se prolongava desde sempre
os três passos
os potes,as poções,os corretivos
todo aquele tempo investido
em enganar o tempo
mas o tempo não se engana
um sinal a mais
esfregou para ver se saía
a dobra do tempo na face magra
uma escavação na órbita,
um desvão no seio,
um canal lacrimal entre as pernas
nada que a lembrasse do rio
caudaloso das horas de gozo
apenas o batom no espelho
escreveu a última cena
da atriz sem papel na vida
assim um the end
em sangue escorreu
num teatro vazio.



DIÁLOGO

Trava-se o diálogo inédito
a fera, a pegada pesada,
a flor,purpúreo adorno
das águas turvas,
quentes e estagnadas.

Lá, a flor,
convite ao deleite narcísico.

Lá,a fera,
espantada diante do inusitado
ser boiante.

Nada a fazer
fera e flor,
naturezas distintas
do mesmo Criador.



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