quarta-feira, 2 de março de 2016

OS ANCIÃOS (continuação)

  
 Não, não fazia ele de má vontade o percurso para chegar até as Plantações levando o almoço ao pai. O que realmente o cansava era repetir todos os dias as mesmas coisas ou mais especificamente, as estreitas limitações daquela vida. Nenhuma outra possibilidade parecia existir. Jamais poderia queixar-se dos seus pais, do comportamento deles. No entanto, perturbava-o a acomodação e, pior, o contentamento deles  em seguir com o modelo idêntico ao de todas as outras famílias do povoado.  Demonstravam verdadeiro prazer nas restrições tão pobres impostas e adotadas pelas pessoas. Descontentava-o submeter-se  como os demais. Irritava-o até. Por isso tinha um plano para aquela noite. E a aventura seria compartilhada com o seu melhor amigo, da mesma idade, Loth.
   Ele entendera e ficara entusiasmado com a ideia. Teriam de esperar a madrugada e agir às escondidas, pois não podiam ser descobertos. Durante o dia seria impossível. Seu coração  batia mais forte só em pensar na ousadia do projeto. Sentia-se mais vivo também. E tais sensações o impulsionavam a agir, correr riscos.
   Chegava perto já e em breve avistaria os grupos de trabalho.  Além ficava a Floresta Petrificada, o lugar mais distante onde pudera ir,acompanhado de adultos,obviamente.
   Ia iniciar a subida que ocultava, do outro lado, o grupo atarefado em cuidar das plantações,quando uma sensação incomum o invadiu,uma espécie de tontura, crescendo até tornar-se vertigem, desorientando sua visão,dominando-o por inteiro, dissolvendo a paisagem.
   Tudo foi ficando vago e distante,dilacerando a solidez das coisas,intro-
duzindo-o no Indeterminado.
   Sem poder resistir, simplesmente caiu e perdeu os sentidos.



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