domingo, 25 de setembro de 2016

Retorno

  Era preciso trazer o menino de volta.Se não conseguisse,ao menos deveria vê-lo,abraçá-lo um momento e dizer “ Eu vim”.
   Por toda parte pessoas estendidas na terra,algumas enterradas até a cintura,nuas.Gemendo,clamando.
   Olhei aquele horror e resolvi que iria.
   Teria de atravessar por entre elas,suas medonhas deformações,tentando conter a repulsa.Não havia outra maneira.Se quisesse chegar ao meu destino,teria de enfrentá-las.   
 Talvez fosse melhor recorrer ao auxílio do cão Ulisses. Poderia ser o seu guia.
 Chamou-o.Ele logo veio.Buscando coragem ou impulso,iniciou a travessia.
 As pobres criaturas estenderam braços,agitaram mãos,aflitas,atônitas.Pareciam implorar,raivosas.
  Foi evitando-as,tentando ignorá-las.Mal podia suportar tanta corrupção e fedor.Putrefactas,muitas delas tentavam mordê-lo,de algum impedi-lo de continuar.
   Confiando na capacidade do seu guia,ele chegou a baixar as pálpebras,deixando-se levar.Se parasse,perdido estaria.Seguir,seguir em frente.Era o que restava.
  Foi um longo caminho até chegar à criança.Praticamente aprisionada pelas monstruosidades se encontrava.
  Assim que o viram,atacaram de imediato.
 Uma cruel luta,terrível combate teve início.Não havia como evitar.
 Ao abraçar o menino e envolvê-lo em seus braços pôs-se rapidamente em marcha para poder retornar.Tinha certeza de que a volta seria ainda muito mais difícil.
   Arriscava.
  Então caiu a noite e tudo escureceu.          

( imagem: Google)                     




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