sexta-feira, 9 de junho de 2017

Conto



FLOR

A flor luminosa e giratória do ventilador  assombra a penumbra do quarto. É um girassol ardendo nas trevas. Esvoaçam cortinas e toalha da mesa onde coloco meus livros. Ouve-se apenas o zumbido das pás em seu incessante movimento.
\Estou á espera. Só.
Estendido e nu sobre a cama.
há nenhuma pressa.
Mansamente ela chega,sem quebrar o silêncio.Com suavidade se aproxima.Senta-se ao meu lado.
Seu toque acaricia todo o meu corpo.
Permaneço imóvel,recebendo suas mãos que ause me fazem penetrar no oceano das sonhos.
Sem fazer ruído,minhas lágrimas escorrem pelo rosto.
A madrugada se esgota nesta cumplicidade de silêncios.
Pela manhã ela calça os sapatos,apanha a bolsa e parte.
Continuo inerte sobre a cama,cerro as pálpebras.
Talvez amanhã ela retorne.

(foto|: Cleber Pacheco)

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