sábado, 29 de abril de 2017

Límpido



   Concentrou-se,o monge, na limpidez da água, uma água líquida,transparente,muito diversa da transparência de vidro de um bloco de gelo, da opacidade das pedras se espalhando pelo solo, da leveza do voo das aves, da delicadeza única das flores. Desta vez,quis ele, encontrar o insano.
   Não foi possível definir a consistência daquela água, a temperatura, não se importou com as folhas caindo sobre,com o escorregadio do fundo,com as brincadeiras do sol e da sombra no aquoso. Dedicou-se única e exclusivamente à transparência.
   Para compreendê-la, precisou evitar os riscos das elucubrações filosóficas e os destemperos da insanidade. Ver o transparente poderia facilmente conduzi-lo a um estado irreversível de loucura ou matá-lo. Muitas foram as armadilhas para chegar a um estado perfeito de contemplação. Ninguém diria que algo tão simples pudesse conter tantas possibilidades falaciosas,tantos riscos.
    Era um grande propósito, havia avaliado. Só não imaginara que gastaria nele  toda a sua vida.
 
 
 
 
 

   

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