Escrever
É preciso cultivar o espírito,
dizem os mortos,
que não morrem nunca.
O espírito da fala
requer consistência,
mais do que a vida
é preciso escrever a vida ,
dizem os livros,
que nunca se cansam
de nos saciar.
Entre palavra e espírito,
o mundo se regenera
e o oculto interpenetra
a caridade dos discursos,
que nunca são aleatórios.
Da morte é preciso
nos recuperarmos,
diz o dia que se atravessa
e infringe as leis
com rebeldia cordata.
O Agora é um alento
feito de fábulas ,
a vida se desenfeita
quando requer vocábulos
imprecisos da aurora


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