Resenha
A escritora Cecília Kemel comenta meu livro publicado recentemente pela editora Litteralux:
“Transfiguração”: uma tríade desafiadora
Sem dar nome às personagens, reconhecidas apenas pela inicial maiúscula que revela o papel de cada uma na trama, Cleber Pacheco nos apresenta a primeira novela desta trilogia, a que dá nome ao conjunto, impulsionando uma provocação a respeito da morbidez e da insanidade. O enredo se desdobra com agilidade, movido pelo suspense, e abre para uma reflexão sobre a violência que mora em cada um e é passível de ser despertada por atitudes e movimentos externos, em especial por (ou nas) mentes conturbadas.
“Mistérios luminosos”, a segunda história, composta de 33 pequenos capítulos, trabalha magistralmente sobre a metáfora do bem e do mal, trazendo a desestabilidade emocional em contraponto à densidade da redenção. Transita entre um ódio/amor assinalado pela crueldade e paira sobre a religiosidade na evidência final. A estrutura do texto, o desenrolar do enredo, a ideia central fazem desta uma novela exemplar.
O último texto, intitulado “Depois do fim”, compõe-se de 50 trechos estruturados como parágrafos em páginas exclusivas. Ainda aqui, como nos anteriores, as personagens são nomeadas somente por suas funções no enredo. Mostra-se um suspense sombrio, trágico e, sem dúvida, cruel. A vingança é que move o fio afiado dessa tensão e permite uma reflexão, talvez mais necessária do que nunca, sobre as vicissitudes da aparência em oposição às virtudes da essência,
Cada uma dessas histórias deixa-nos, para sempre, um sabor de frutas verdes. No entanto, o fato mais relevante é que Cleber Pacheco inscreve seu nome, com estas novelas, entre os escritores mais argutos na arte de trabalhar sobre o caos.


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