sexta-feira, 20 de junho de 2014

INVERNO

Cedo aprendi
as artes do frio,
as agruras do gélido.
Cedo reconheci
a geometria do rigor
no coração do olvido.
Prematuro era o parto
do embrião da morte.
Escavando
camadas do frio,
encontrei,trincado,
o corpo
da Rainha da Neve. 
Comecei
pelos sincelos e geadas,
atravessando,
a seguir,
as crateras do rústico.
Treinado
por granizo e tormenta,
resgatei o invólucro
empalhado em vidro,
múmia do límpido,
repousando,calado,
nas consistências do sólido,
escultura e retalho
na sisudez do único.
Preso e lacrado
nas armadilhas do anatômico,
com sonhos cinzelados 
nas brumas do extinto.
O fossilizado
- cultivada semente
da flora dos mortos-
devolvendo o âmago
à textura dos espectros,
fruto cristalizado
no âmbar do limbo,
flor fecundada
no pólen do anêmico.
Retirei
do abismo
a seiva do estático
guardando comigo
as fissuras do frígido,
era pedra a alma
dos soterrados
nas catacumbas do esfíngico.
Devolvi
o corpo
da Rainha da Neve
ao reiterar das formas,
às injúrias dos gelos,
recompondo o impecável
com máximo zelo.
Não tinha pressa
o tempo
para aniquilar
o eterno.

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