sexta-feira, 12 de julho de 2019

Resenha


   Édipo Rei é certamente a tragédia grega mais emblemática de todas. Não só por ter uma estrutura perfeita como por ter sido utilizada por Aristóteles em sua Arte Poética e estar presente nas teorias psicanalíticas de Freud.  Dizem também que a referida tragédia é a primeira história policial escrita, em que o detetive é também o assassino.  Já Édipo em Colono nos relata acontecimentos posteriores ao momento mais crítico da vida de Édipo. Os fatos agora ocorrem no período da velhice da personagem e possuem um outro tom. 
    Amparado pelas filhas Antígona (protagonista de outra tragédia emblemática) e de Ismene, expulso pelos filhos Polinice e Etéocles,  ele busca refúgio no santuário das Eumênides e busca ainda o apoio de Teseu para enfim morrer em paz. Todavia os conflitos causados pela disputo por poder entre  Etéocles e Pilinice  irão perturbar esse período final.
    Édipo recusa-se  a apoiar Polinice. Não só não suporta tamanha hipocrisia como também já não está mais interessado em acontecimentos passageiros. Seu foco agora detém-se sobre os mistérios da morte. Para ele o mais importante é a sabedoria adquirida devido ao sofrimento do que as ilusões proporcionadas pela ambição e pela tirania. A ação já não tem a prioridade em seus derradeiros passos. A reflexão  ganhou prioridade.  E em vez da intempestividade própria do gênero masculino  o que lhe toca é a afetividade do mundo feminino, pois é a atitude maternal de Antígona que lhe fortalece. Prefere também o senso de justiça de Teseu do que  o desejo comandado pela ambição de Polinice.  Se na tragédia anterior a cegueira de |Tirésias possibilita a vidência e a sabedoria , que tanto incomadavam Édipo, desta vez a cegueira do próprio Édipo lhe proporciona uma visão muito mais clara a respeito da existência humana.
   As palavras do Coro no quarto episódio da peça sintetizam maravilhosamente as questões apresentadas por Sófocles :

 Quem, ao transgredir o comedido, 
aspira ao excedente na vida  
cultiva inquestionavelmente  
a insensatez  aos meus olhos. 
Ricos em anos, 
prosperamos em dores. 
Foge o prazer de quem 
rompe as fronteiras 
do devido. 
Igualando todos, 
emerge do reino sombrio ,
o fim, 
sem bodas, sem lira, sem danças, 
a morte, derradeiro limite. 

      
   

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