terça-feira, 13 de março de 2018

Resenha



   Inspirado em Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis e no famoso delírio narrado no referido romance,, o escritor Cláudio Parreira escreveu uma paródia que vai além da mera paródia : o romance A Lua é um Grande Queijo Suspenso no Céu, editora Penalux, 2017
   Brincando com a ideia  de um autor defunto ou de um defunto autor, Parreira nos remete aos antigos romances,com títulos de capítulos enormes, que sintetizam os acontecimentos ali narrados, como era de praxe no século XVIII e XIX, mas nos remete à irreverência do Modernismo, por vezes nos fazendo lembrar de Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade. No entanto, Serafim parodiava os diferentes estilos e gêneros literários, como Diário, Carta, etc, mesclando uma linguagem parnasiana, criticada e execrada pelos modernistas e a linguagem mais popular, unindo o elevado com o vulgar, como o nome do navio onde Serafim viaja: Steamship Rompenuve.
   Parreira vai ainda além, pois utilizando com habilidade palavras,palavrinhas e palavrões, cria uma linguagem própria , colocando em xeque a Literatura, a Vida e a Morte, questionando o próprio fazer literário, o sentido da vida e o significado da morte.
    Durante a leitura, deparamo-nos com o realismo, com o sobrenatural próprio dos romances góticos, com um arremedo de romance espírita, com o gênero fantasia, tão em voga atualmente. Misturando tudo, o personagem vai em busca da Panaceia Universal, utopia dos antigos alquimistas que buscavam a cura para todos os males. O resultado final é revelador da proposta do livro, mostrando que aquilo que parecia ser só uma brincadeira traz uma visão contundente a respeito da existência humana. O riso revela nossas fragilidades, nossas expectativas, as angústias próprias de nossa condição e,em particular, as agruras de todo escritor. É um riso que faz pensar.Como já disse alguém, não há nada mais trágico do que a comédia. Grande verdade.
   Ao leitor cabe não apenas a diversão, mas  refletir e ser refletido neste jogo de espelhos meio borgeano que o livro nos propõe. 
   
   

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